O artigo “Culinária, gênero e alimentos ultraprocessados: rumo à valorização pública do conhecimento culinário“, publicado por Patricia Jaime e Murilo Bonfim na revista World Nutrition, analisa a relação entre a preparação de refeições, as desigualdades de gênero e o avanço do consumo de alimentos ultraprocessados. O trabalho culinário permanece concentrado nas mulheres, sendo frequentemente invisibilizado e desvalorizado, apesar de seu papel central na promoção da alimentação saudável e da saúde.
O texto também discute como a indústria de alimentos ultraprocessados se apropria de narrativas de conveniência, apresentando seus produtos como soluções para a falta de tempo no cotidiano. No entanto, essa estratégia não contribui para a redistribuição do trabalho doméstico nem para a melhoria dos padrões alimentares, reforçando dinâmicas de desigualdade e impactando negativamente a saúde da população.
Ao situar a culinária no âmbito da economia do cuidado, os autores propõem uma mudança de perspectiva: cozinhar deve ser reconhecido como uma prática social essencial, que demanda políticas públicas capazes de valorizar esse trabalho e redistribuir suas responsabilidades. Experiências como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e as cozinhas solidárias são apontadas como exemplos de como o trabalho culinário pode ser organizado coletivamente, contribuindo para sistemas alimentares mais saudáveis e equitativos.
Título: Cooking, gender, and ultra-processed foods: Toward a public valorization of culinary knowledge
Autores: Patricia Jaime e Murilo Bonfim
Revista: World Nutrition
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